Em qualquer drama, o conflito é fundamental. Sem isso, não há história. No entanto, é importante usar o conflito com sabedoria para criar uma história mais crível. Muito conflito pode ser esmagador e inacreditável, enquanto pouco conflito pode fazer uma história parecer monótona. O truque é encontrar o equilíbrio certo de conflito que irá envolver o leitor e fazê-lo acreditar na história.

Definição de conflito em dramaturgia

No teatro, o conflito é definido como a oposição entre dois personagens ou grupos que cria tensão e impulsiona a história.

O conflito é essencial ao drama, e sem ele não haveria história. O conflito pode ser externo, significando que existe entre os personagens e seu ambiente, ou interno, significando que existe dentro dos próprios personagens.

O conflito externo geralmente é mais fácil de identificar, pois geralmente é de natureza física, enquanto o conflito interno geralmente é mais sutil e emocional.

Independentemente de sua fonte, o conflito é o que mantém o público engajado e investido em uma história.

O dramaturgo usa os personagens para estabelecer o conflito na história e mantê-lo forte o suficiente para engajar o público.

Os personagens são vívidos e complexos, o que significa que enfrentam conflitos internos e externos.

A história segue um curso natural em que o conflito se desenvolve e se resolve, mas os personagens também têm a liberdade de escolher como lidar com o conflito.

Isto mantém o público interessado, à medida que ele espera para ver o que os personagens vão fazer no próximo confronto.

Como um dramaturgo usa personagens?

Dramaturgia é uma arte de manipulação. O dramaturgo precisa deixar os personagens à beira do precipício, colocar o público à beira do seu fôlego e, em seguida, dar alívio para ambos.

É possível dizer que é uma arte de servir sobremesas frias e doces e depois sal e ácido.

Ou seja, a dramaturgia depende de ritmo e surpresa, apontar fortes pontos culminantes e oferecer alívio suficiente para que o público volte a se sentir empolgado para ver o próximo ato.

Como a dramaturgia se aplica a roteiro?

Todos os milhares de páginas de literatura sobre dramaturgia podem ser resumidas em uma única frase: FAZER PESSOAS SENTIR.

Dramaturgia está totalmente concentrada em ferir, emocionar e aprofundar as emoções no público, por isso as histórias são relatadas por personagens.

Os personagens são nossa maneira de contar uma história. Em contrapartida, o roteiro é a nossa maneira de contar uma história que nunca foi contada antes. A respeito de um assunto que nunca foi escrito antes.

Em  outras palavras, dramaturgia e roteiro são dois métodos diferentes para alcançar o mesmo propósito: fazer pessoas sentir.

O roteiro, no entanto, precisa conter uma série de informações básicas que a dramaturgia não precisa incluir. Logo, qual é a vantagem de aprender dramaturgia se você já tem tudo o que precisa para escrever roteiro?

Uma diferente abordagem para os mesmos problemas. A dramaturgia fornece uma abordagem para os problemas que o roteiro enfrenta que parece ser mais fácil e menos problemática.

Escrever uma história não é tecnicismo, mas a dramaturgia faz parecer assim.

Aplicando crenças de dramaturgia ao roteiro, você pode encontrar soluções para os seus dilemas que pareceriam mágica.

O enredo é um personagem? Em muitas histórias, o enredo é uma coisa viva, uma coisa que se move sozinha e que infelizmente depende das personagens para viver.

Na verdade, o enredo é um personagem em muitas histórias e ele simplesmente precisa viver da mesma forma que uma pessoa viva.

Na verdade, estudantes de dramaturgia normalmente desenvolvem personagens para a história em vez de  enredo. Quando isso acontece, as coisas ficam mais fáceis.

A vida é difícil? Para um personagem? Bem, a vida para o enredo também é difícil! Em um mar de personagens, o enredo parece ser o único que entende a gravidade das situações.

Dramaturgia vai ajudar seu roteiro a ter um pouco mais de emoção, uma compartilhada e profunda emocionalidade.

A história está parando? Em dramaturgia, significa que algum personagem está parando. Significa que uma pessoa real está desacreditando na história que está acontecendo e não interage com o mundo exterior devido a isso.

Um personagem está parando o enredo?! Isso é uma coisa que poucas pessoas sabem, mas vários personagens estão impedindo o enredo de se desenvolver e isso é o que está causando as interrupções na história.

Uma forma fácil de resolver esse problema é rever seus personagens. Você pode descobrir que alguns deles são realmente enredos e não personagens!

Enrolar o final

Enrolar o final significa dar a tão esperada resolução para a trama. A dramaturgia diz que você deve enrolar o final em um personagem. Isso parece difícil, mas é  realmente  simples.

Certifique-se de que o herói resolve o seu problema e está satisfeito em relação a isso. Também certifique-se de que o vilão decepa a mão e vai parar de agir mal (apesar de ninguém nunca realmente parar de agir mal!).

Finalmente, certifique-se de que todos os personagens estão felizes (apesar de ninguém nunca realmente está feliz!).

Você conseguiu enrolar o final em um personagem?

Na verdade, o final é um personagem! Um bom roteiro irá revelar um enredo final envolto em uma pessoa real. Um roteiro mau vai revelar uma pessoa real envolvida em um enredo final.

Isso pode soar estranho, mas faz todo o sentido. Envolver um final em uma pessoa real enfatiza as características básicas dessa pessoa real. Por exemplo: Bruce Wayne é um herói envolto em uma personagem real. Ele é rico, bonito e fica com a garota. Uma pessoa real não será um Batman completo até encontrar o que quero dizer com isso. Ou seja, enquanto Wayne parece estar lutando contra a criminalidade, ele na verdade está lutando contra a própria riqueza! Na verdade, riqueza é o vilão final de muitos filmes!

Uma história não será boa até envolver o final em pelo menos dois personagens. O final não pode ser envolvido em uma coisa (como uma pedra, por exemplo). Um final envolvido numa pessoa real (como um chimpanzé) irá gerar uma série de fatos que explicam a trama sem explicar nada. Um bom roteiro vai explicar tudo!

Ajustando o tom

A justificativa para ajustar o tom é definir os elementos que formam o roteiro. Estes elementos estão divididos em quatro categorias principais: personagem, acontecimentos, tempo e lugar. Cada categoria possui uma estrutura bem definida com especiais divisões e divisões intermediárias.

Como uma história possui um roteiro, às vezes é fácil se deixar levar pelos acontecimentos e deixar tudo um pouco fora do tom. Você pode querer que a história contenha uma dose extra de ação, por exemplo. Para isso ser bem-sucedido, você precisa definir os personagens, os eventos e o tom exatamente como deseja antes de escrever.

Se não tiver clareza sobre os objetivos da sua história, as palavras escolhidas para tipificá-la tenderão a aparecer em tom errado. Um conto de terror, por exemplo, não deve ter uma linguagem amorosa, ainda que seu personagem principal seja uma mulher. Um romance não deve utilizar uma linguagem enérgica, ainda que seu personagem principal seja um homem.

Existem diversos tópicos que podem ajudá-lo a definir os objetivos da história e o tom. Abra o dicionário e procure as definições de palavras em que estejam interessadas; isso lhes dará uma ideia de como as palavras deverão ser utilizadas. Também pode passar um tempo pensando na história e nos personagens — estes últimos em tom de vida, não na história em andamento — e observar como eles reagem em situações comuns. Esta abordagem lhe dará uma ideia de como os personagens se relacionam entre si e qual o tom desses relacionamentos.

Memorizando as palavras

Uma vez que tenha definido o tom e as estruturas do roteiro, memorize as palavras que irá utilizar. Definições, exemplos e exemplificações devem estar permanentemente à mão; elas formam a base da memória de você com relação à linguagem. A partir dessas definições, você poderá criar uma linguagem muito versátil para falar sobre seus pontos principais.

Uma vez que possua todas as palavras e frases úteis na cabeça, comece a fazer um roteiro detalhado. Escrevendo tudo o que deve ser dito é um bom meio de memorizar tudo o que precisa ser dito. Você não precisa fazer isso em um roteiro completo — apenas as partes relevantes — mas isso ajuda muito a fixar tudo na cabeça.

Conclusão

Concluindo, usar o conflito no drama para criar uma história mais convincente é uma maneira poderosa de trabalhar em seu roteiro em suas especificidades. No entanto, é importante estar ciente dos riscos potenciais envolvidos no uso desta técnica. Se não for usado corretamente, o conflito pode facilmente criar mais problemas do que resolver. Mas se você estiver atento a esses riscos e usar o conflito criteriosamente, pode ser uma ferramenta incrivelmente eficaz para elaborar uma história mais convincente e e alto poder de engajamento.